Hauçá, haussá ou haúça se refere a uma etnia africana, de religião mulçumana, situada principalmente no norte da Nigéria, ao sudeste do rio Níger, mas também presente no Sudão, Camarões, Gana e na Costa do Marfim.
O prato consiste em um arroz bem cozido, quase papa, feito apenas em água e sal, acrescido de carne de charque frita e cebola. Podendo conter ainda um molho de camarão seco e pimenta, e azeite de dendê. Atualmente, o arroz de hauçá costuma ser preparado com a adição de leite de coco durante o cozimento do cereal, assim como é feito no arroz de viúva (arroz de coco).
Pesquisadores como Yeda Pessoa de Castro e João Reis, contrapõem-se a Manuel Querino que incluiu o arroz de hauçá entre aqueles puramente africanos. Para eles, o prato é uma receita tipicamente baiana. Seria um produto resultante do contato de diversas influências que ocorreu entre os próprios africanos trazidos para a Bahia. Uma curiosa estória a respeito do nome desse prato é narrada por Sodré Viana e citada no livro de Carlos Alberto Dória e Jeferson Bacelar, em que diz que, Ruy Barbosa estava na Bahia por motivos de sua candidatura à presidência da república e durante um almoço que reuniu amigos íntimos, foi servido, aos convidados, um prato de arroz de hauçá. Pairou então, entre os presentes, uma dúvida sobre de onde viria aquele nome. O conselheiro, interpelado, explicou que o nome era a corruptela de “arroz de água e sal”. Justificando que os negros, na sua maneira de falar, diziam ‘arroz de áua e sá’, daí se denominou arroz de hauçá.
Prato preferido do escritor Jorge Amado, no candomblé, o arroz de hauçá é uma comida ritual. Preparado sem sal, temperos e óleo, é oferecido a Oxalá e Iemanjá. Pode ser servido também como um dos acompanhamentos do caruru de Cosme e Damião. Segundo Márcio de Jagun, o arroz de hauçá aparece como uma das oferendas destinadas à orixá Nanã.
Referências:
CASTRO, Yeda Pessoa de. Falares Africanos na Bahia. Um vocabulário afro-brasileiro. Rio de Janeiro: Topbooks, 2005.
REIS, João apud DÓRIA, Carlos Alberto; BACELAR, Jeferson. Manuel Querino: o criador da culinária popular baiana. Salvador: P55, 2019, p. 171-172.
FREGONEZE, B. Josamara et al. Cozinhando Histórias. Salvador: Fundação Pierre Verger, 2015.
JAGUN, Márcio de. Yorùbá: vocabulário temático do candomblé. Rio de Janeiro: LITTERIS, 2018.