A Bala Baiana, também conhecida como Bala de Vidro, é um doce muito popular, principalmente em Salvador e Região Metropolitana, que faz parte das memórias afetivas de muita gente. Quem frequenta as ruas da capital já encontrou algum ambulante vendendo essa iguaria nos ônibus, nas bancas, em lojas e até na praia, mas apesar de levar o título de “baiana” no nome, essa doçura tem origem nos conventos portugueses, onde era feita à base de açúcar e gema de ovo, o que a faz ser chamada também de Bala de Ovo.
Em ‘Açúcar’ (1939), Gilberto Freyre detalha que, no passado, “o açúcar era então coisa rara, privilégio de nobres e abastados, vendido em farmácias para curar doenças respiratórias, como cicatrizante e como calmante. Mas ganhou prestígio sobretudo quando passou a ser também utilizado na preparação de pratos.” Essa riqueza, que passou a substituir o mel em receitas, fazia parte das cozinhas dos conventos portugueses. Como as freiras utilizavam apenas as claras dos ovos para engomar roupas, elas aproveitavam as gemas que sobravam para criar, dentre outras sobremesas, a nossa Bala de Vidro.
A Bala Baiana, que você pode encontrar também com o nome de Bala de Coco, é um doce feito de recheio de coco cremoso coberto com uma fina camada crocante de açúcar. O recheio é feito com a base da receita de brigadeiro de coco, ou beijinho como é mais conhecido em nosso estado, mostrando justamente a diferença da receita portuguesa em que, ao invés do leite condensado, era utilizada a gema do ovo. A calda de caramelo dá o toque final ao doce, trazendo a crocância e a beleza com seu brilho.
Referências:
SOUZA JUNIOR, Vilson Caetano de. Comida de Santo e Comida de Branco. DOSSIÊ: Multiculturalismo, Tradição e Modernização em Religiões Afro-brasileiras. Volume 11, n. 21, 2014.
SABOR BRASIL. Bobó de camarão. Disponível em: https://www.saborbrasil.it/pt-br/?p=4687 Acesso em: 16 mar. 2026.
EUSOUOLUIZ.COM. Bobó de Camarão: A Cremosa Herança Afro-Brasileira. Disponível em: https://eusouoluiz.com/english/f/bob%C3%B3-de-camar%C3%A3o-a-cremosa-heran%C3%A7a-afro-brasileira Acesso em: 11 jul. 2026.