Acaçá é o nome brasileiro dado a um prato da culinária africana, chamado eko (ecó). O acaçá consiste em um pudim de milho branco cozido e embrulhado ainda quente nas folhas de bananeira, cortadas em formato retangular. Tradicionalmente, segundo Manuel Querino, a receita não leva sal, açúcar, nem azeite de dendê e é servida como acompanhamento para as comidas salgadas.
Hildegardes Vianna diz que o acaçá é o alimento ideal para adultos anêmicos, mulheres em período de amamentação e pode se transformar também numa deliciosa bebida refrigerante. Diz também que é um excelente acompanhamento para comidas de azeite, como o caruru e o efó, ou pode ser também polvilhado com açúcar e consumido na própria folha da bananeira com uma colher.
Comida funfun, que em iorubá quer dizer branco, o acaçá é um alimento sagrado, fundamental nos terreiros de candomblé, uma vez que é oferecido a todas as divindades ali cultuadas, mas em especial para Oxalufã, Oxaguiã e Oxalá. Encontrado nos tabuleiros, assim como tantos outros quitutes de origem africana, Manuel Querino observou que, a partir do século XX, houve um enfraquecimento nas vendas do acaçá nas ruas. É difícil atualmente encontrá-lo pronto, enquanto mercadoria, sendo os praticantes das religiões afro-brasileiras os responsáveis por manter ativa a demanda de acaçá em Salvador, uma vez que, ele acompanha a maioria das comidas que são oferecidas aos Inquices, Voduns e Orixás.
Para o historiador Alberto Heráclito Ferreira Filho, o candomblé legitimava o trabalho das ganhadeiras, uma vez que estabelecia algumas atividades de ganho, como meio pelo qual as filhas de santo conseguiam dinheiro para o cumprimento das suas obrigações rituais. De acordo com o orixá, a atividade variava. Exemplo disso é que as filhas de Iansã e Xangô vendiam acarajé, já as de Oxalufã, Oxaguiã e Oxalá vendiam o acaçá.
Referências:
FERREIRA FILHO, Alberto Heráclito. Salvador das mulheres: condição feminina e cotidiano popular na Belle Époque Imperfeita. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia. Salvador: 1994.
QUERINO, Manuel. A Arte Culinária na Bahia, In: Costumes Africanos no Brasil. Recife: Fundação Joaquim Nabuco – Editora Massangana, 1988.
VIANNA, Hildegardes A Cozinha Baiana: seu folclore, suas receitas. Bahia: s/e, 1955.
________. A Bahia já foi assim. Bahia: Editora Itapuã, 1973.